As hepatites virais são um conjunto de doenças inflamatórias causadas por diferentes vírus, causando alterações leves, moderadas ou graves. No Brasil, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C. O vírus da hepatite D é mais presente na região norte do país, enquanto o vírus da hepatite E é menos comum no Brasil, sendo encontrado com maior facilidade na África e na Ásia. Cada um desses vírus apresenta diferentes formas de transmissão, gravidade da doença e impacto no fígado.A pessoa que tem contato com o vírus da hepatite pode desenvolver um quadro de hepatite aguda, apresentando sintomas ou não. Quando há sintomas, são inespecíficos como náuseas, vômitos, diarréia, febre baixa e cefaléia. Além disso, a icterícia é um sinal comum das hepatites e pode ser reconhecida quando ocorre alteração da coloração da pele, olhos e mucosas. O amarelamento acontece quando há excesso de bilirrubina no plasma sanguíneo. A bilirrubina é um pigmento amarelo gerado a partir da degradação das hemácias no fígado. A fase aguda tem esses aspectos clínicos limitados aos primeiros seis meses da infecção e a persistência do vírus após este período se caracteriza como infecção crônica.
Apenas os vírus B, C e D têm potencial para desenvolver a hepatite crônica, sendo que esse processo varia em função de alguns fatores, como gênero, idade e imunodeficiências. O avanço da infecção compromete o fígado, sendo causa de fibrose avançada (substituição das células hepáticas por fibras de colágeno) ou de cirrose, que podem levar ao desenvolvimento de câncer e à necessidade de transplante do órgão.
Icterícia: Olho amarelado causado pelo acúmulo de bilirrubina no sangue.
Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), os vírus das hepatites B e C estão relacionados com 57% dos casos de cirrose hepática e 78% dos casos de câncer primário de fígado. Além disso, na região das Américas, estimativas demonstram que há 10 mil novas infecções por hepatite B e 23 mil mortes a cada ano, enquanto a infecção por hepatite C representa 67 mil novos casos e 84 mil mortes.
As hepatites A e E são transmitidas principalmente por meio da ingestão de água e alimentos contaminados. Já as hepatites B, C, D são transmitidas através do contato com sangue ou por transfusão de sangue e hemoderivados; relações sexuais desprotegida; compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha e outros objetos perfurocortantes; da mãe para o filho durante a gravidez (transmissão vertical).
O contágio via transfusão de sangue já foi muito comum no passado, mas, atualmente é considerado raro, tendo em vista o maior controle e a melhoria das tecnologias de triagem de doadores, além da utilização de sistemas de controle de qualidade mais eficientes.
“Cabe aqui ressaltar que pacientes que serão submetidos a transplante de órgãos devem ter sua investigação para hepatites virais, como também aqueles que serão submetidos à quimioterapia, as gestantes, pacientes obesos, diabéticos, renais crônicos, porque se forem portadores do vírus B ou C, o tratamento deve ser discutido com o médico assistente” relata a Dra. Ana Pittella, pesquisadora do IDOR e Coordenadora de Clínica Médica do Hospital Quinta D’Or.”O diagnóstico pode ser feito por exames de laboratório avaliando a função das enzimas hepáticas denominadas aminotransferases (TGO e TGP) ou ainda, identificando o agente causador da doença (etiologia), por testes sorológicos confirmando a existência do vírus” a pesquisadora informa.
“Existe vacina para as hepatites A e B. Portanto é muito importante que o esquema vacinal seja cumprido. No caso da hepatite A são duas doses com intervalo de seis meses entre cada uma delas. Enquanto que para a hepatite B, o esquema vacinal compreende 3 doses, com intervalo de 30 dias entre a primeira e a segunda dose, sendo que a terceira dose deve ser feita com seis meses da primeira aplicação. No caso da hepatite C, não há vacina, mas o tratamento elimina o vírus, com chances de cura acima de 90% dos casos” Dra. Pittella complementa.
A prevenção e o cuidado são fundamentais no combate às hepatites virais. Aproveite o Julho Amarelo para se informar, conscientizar e agendar suas consultas preventivas.
A imunização contras as hepatites faz parte do calendário vacinal infantil
Referências:
Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. JULHO AMARELO: MÊS DE LUTA CONTRA AS HEPATITES VIRAIS. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/julho-amarelo-mes-de-luta-contra-as-hepatites-virais/. Acesso em 03 de julho de 2023.
Ministério da Saúde. Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis. HEPATITES VIRAIS: O QUE SÃO. Disponível em: https://www.gov.br/aids/pt-br/assuntos/hepatites-virais/o-que-sao. Acesso em: 02 de julho de 2023.
Pan American Health Organization. HEPATITIS. Disponível em: https://www.paho.org/en/topics/hepatitis. Acesso em: 02 de julho de 2023.
Pan American Health Organization. DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA AS HEPATITES VIRAIS 2022. Disponível em: https://www.paho.org/pt/campanhas/dia-mundial-luta-contra-hepatites-virais-2022. Acesso em: 02 de julho de 2023.
Rede D’Or São Luiz. HEPATITE VIRAIS. Disponível em: https://www.rededorsaoluiz.com.br/doencas/hepatite-virais. Acesso em 02 de julho de 2023.
World Health Organization. HEPATITIS. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/hepatitis#tab=tab_1. Acesso em: 03 de julho de 2023.
Escrito por Manuelly Gomes