Estudo estima como será o cenário após passarmos pela quarentena da pandemia.

A pandemia da COVID-19 trouxe grandes desafios para a saúde mundial. Mesmo as nações com melhor estrutura para atender à população estão sofrendo as consequências desta pandemia. Até agora, sem vacina ou um remédio garantido para o combate efetivo da doença, governos focam suas medidas em testagens, quarentenas e tratamentos com as ferramentas disponíveis em seus sistemas de saúde. No entanto, alguns países como China e Coreia do Sul já têm seguido estratégias de relaxamento do isolamento social, à medida que conseguiram diminuir a transmissão do vírus SARS-CoV-2.

Os Planos de contenção e liberação dependem de alguns fatores, como a variação de transmissão do vírus ao longo das estações, a duração da imunidade da população recuperada e o desenvolvimento sazonal de vacinas contra o vírus. Nesta semana, o periódico científico Science publicou um artigo que identificou os fatores virais, ambientais e imunológicos que determinarão a dinâmica de contaminação do SARS-CoV-2 pós-pandemia. Para simular a transmissão deste coronavírus, os pesquisadores calcularam modelos matemáticos de transmissão do período atual até 2025.

Através da análise de dados de outros coronavírus, o estudo foi capaz de estimar o possível comportamento do SARS-CoV-2 ao longo das estações do ano. Além do novo coronavírus, o modelo dinâmico também utilizou os vírus HCoV-OC43 e HCoV-HKU1 para inferir como as medidas de distanciamento social deveriam se comportar quanto à duração e intensidade nos próximos anos.

Dentre os principais achados, a pesquisa afirma que, primeiro, o SARS-CoV-2 é capaz de se proliferar em qualquer estação do ano; segundo, se a imunidade do SARS-CoV-2 não for permanente, o vírus entrará em circulação constante, assim como ocorre com os dois outros citados no parágrafo acima; terceiro, a alta variação sazonal na transmissão culmina em menores picos de incidência durante o início da onda pandêmica, mas maior recorrência em surtos posteriores; quarto, se a imunidade do SARS-CoV-2 for permanente, o vírus poderia desaparecer por 5 anos ou mais, depois do surto principal; e por fim, os baixos níveis de imunidade cruzada de outros coronavírus poderiam mitigar a contaminação do SARS-CoV-2, e o mesmo ressurgiria apenas em 2024.

O estudo calculou diferentes cenários até 2025, sem levar em conta o uso de medicamentos que poderiam mitigar a intensidade do surto; ou seja, as voltas mais ou menos fortes de surtos do coronavírus SARS-CoV-2 dependerão da efetividade de vacinas, da duração da imunidade da população e de tratamentos eficazes para a COVID-19. Enquanto isso, pesquisas para o desenvolvimento de vacinas e tratamentos são mandatórias, além da execução de testes sorológicos na população para entender quanto tempo a imunidade do vírus se mantém naqueles recuperados da infecção.

Escrito por Luiza Mugnol Ugarte