Estudo foi liderado por empresa chinesa de biofarmacêutica e já está realizando testes em seres humanos.

Nasce uma grande esperança. Pela primeira vez, uma das inúmeras vacinas testadas mundo afora contra a COVID-19 foi capaz de imunizar um animal. A pesquisa foi realizada por uma empresa biofarmacêutica de Pequim, a Sinovac Biotech, e os resultados do estudo foram publicados ontem, dia 6 de maio, na revista científica Science.

Muito de nosso desenvolvimento científico advém da testagem em animais, técnica que está sendo cada vez mais discutida entre cientistas para que se encontrem alternativas menos invasivas a esse método de estudo. Diante do surto pandêmico, porém, essa é ainda uma das formas mais rápidas de garantir uma vacina segura para testagem em humanos e, por isso, os biólogos do estudo escolheram o macaco rhesus para a pesquisa. Esses primatas possuem  grande similaridade fisiológica e neurobiológica com os humanos, assim como a susceptibilidade para doenças infecciosas, o que auxilia no estudo de patologias encontradas em seres humanos.

Para testar a vacina, os biólogos administraram em 8 macacos duas doses diferentes de sua vacina contra a COVID-19. Três semanas depois, o grupo introduziu o novo coronavírus SARS-CoV-2 nos pulmões dos animais através de tubos nas traqueias. A boa notícia que esperavam é essa: nenhum deles desenvolveu uma infecção completa. No entanto, os primatas que receberam a dose mais alta de vacina tiveram uma melhor resposta, pois sete dias após receberem o novo coronavírus, os pesquisadores não o detectaram na faringe ou nos pulmões dos animais. Já os que receberam doses mais baixas desenvolveram um quadro viral, a princípio, mas depois também conseguiram controlar a infecção.

Além dos grupos que receberam diferentes dosagens, 4 macacos rhesus não vacinados também foram expostos ao SARS-CoV-2. Esses desenvolveram altos níveis de RNA viral em várias partes do corpo e também tiveram pneumonia grave. Segundo os pesquisadores, a diferença entre os macacos vacinados e não vacinados oferece muitas chances de que a vacina funcionará em humanos.

No entanto, um outro estudo que analisou diversas técnicas de imunização, como a terapia gênica e antivirais, defende que cada estratégia tem suas vantagens e desvantagens. Portanto, apesar das ótimas notícias, é fundamental que outras frentes de proteção contra o vírus sigam sendo testadas e principalmente avaliadas quanto à segurança e eficácia. 

Os resultados com os primatas ainda não são suficientes para saber se em seres humanos a vacina não causará efeitos adversos. Porém, a pesquisa já segue em sua fase de testagem clínica e a meta dos pesquisadores é analisar dosagens em mais 1.000 pessoas até o final de junho deste ano. Com base na experiência anterior com as vacinas contra o SARS-CoV, espera-se que todas as vacinas para o SARS-CoV-2 exijam avaliações cuidadosas de segurança para que não haja aumento da infecciosidade da doença. A partir dessas informações, as populações de risco já poderão ser imunizadas, entre elas os profissionais de saúde, idosos e pessoas com condições crônicas.

Escrito por Maria Eduarda Ledo de Abreu.

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