Com a redução do contato social, a produção de ocitocina fica prejudicada, mas a prática de exercícios físicos melhora a saúde mental e regula o estresse.

– Ontem acordei cedo, corri na praia, fui para o trabalho e à noite jantei com a minha mãe. E você?
– Eu fui trabalhar e ao meio dia encontrei minhas irmãs no restaurante para o almoço de toda segunda.

Essa poderia ser uma conversa do período pré Covid-19, mas agora dificilmente pode ser reproduzida como algo corriqueiro, ainda mais para quem mora longe de sua família. Durante a pandemia, nossa saúde mental tem sido afetada por inúmeros motivos, o distanciamento físico é um dos principais, mesmo para aqueles que seguem numa rotina quase normal de trabalho em casa ou na rua. Máscaras, distância, olhares desconfiados e a falta de abraços e beijos deixam o equilíbrio psíquico ainda mais prejudicado.

A falta de ocitocina, hormônio produzido por duas estruturas do cérebro, chamadas área paraventricular hipotalâmica e núcleos supraóticos, influi negativamente na saúde mental. Quando liberada, a ocitocina exerce papel importante na regulação do estresse, sensação que tem acometido a muitos durante o confinamento e mudança de rotina. Conhecida popularmente como “hormônio do amor”, ela também tem papel importante para a reprodução da sociedade, pois não somente promove vínculo social, mas também está envolvido na formação do apego, na confiança e nos comportamentos sexual e materno.

Alguns transtornos psiquiátricos caracterizados por dificuldade no convívio social, como autismo e inúmeros outros transtornos vêm sendo estudados através da interação da ocitocina na modulação dos comportamentos sociais. O hormônio, que reduz ansiedade, melhora a autoestima e o funcionamento cognitivo, é liberado quando abraçamos alguém, por exemplo, e exerceria papel importante no momento atual. Mas, enquanto estamos atados diante da quarentena, temos um plano de fuga para chegar ao lazer mental: o exercício físico.

Desde o início da vida, animais não humanos e humanos, nas sociedades de diferentes tempos, têm se exercitado de forma inconsciente na busca por alimento. Mais recentemente, a prática tornou-se ciente devido a seus benefícios, até mesmo em idosos, de prevenir doenças e buscar a promoção de saúde. Por isso, movimentar o corpo regularmente pode ser a luz para a calmaria mental, por produzir melhora psíquica.

Um caminho interessante pode ser a movimentação do corpo em grupo ou em dupla, por vídeo chamada. Mas enquanto avós, netas, mães, filhos e namorados estão separados, o melhor é que tenhamos tranquilidade para entender que a chance de voltar à rotina de beijos e abraços virá depois de estudos de análise de dados e planejamento por parte das autoridades sanitárias. Até lá, é melhor, para quem pode, manter-se em casa com a companhia do exercício físico.

Escrito por Luiza Mugnol Ugarte

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