Grupo de pacientes apresentou sintomas mesmo depois de passar pela fase aguda da doença.
Ainda não se sabe bem quais sintomas e as possíveis sequelas que os pacientes curados de Covid-19 desenvolvem. Assim, pesquisas correm ao longo da pandemia para entender como o vírus pode afetar pessoas acometidas pela doença a curto, médio e longo prazos. Foi então que um grupo de pesquisa da Itália realizou um estudo publicado na revista Lancet que avaliou 143 pacientes que receberam alta do hospital após desenvolverem Covid-19. No país 71,4% dos pacientes diagnosticados com a doença no início de junho desenvolveram sintomas como tosse, febre e dificuldade de respirar.
A partir de critérios dos critérios abaixo, delineados pela Organização Mundial da Saúde para descontinuação da quarentena, os pacientes do estudo de acompanhamento foram incluídos na pesquisa:
– ausência de febre por 3 dias consecutivos;
– melhora de outros sintomas relacionados à doença;
– 2 resultados negativos de teste para Sars-CoV-2 com 24 horas de intervalo.
Ademais, no dia da inclusão do estudo, os pacientes foram testados via RT-PCR, e aqueles que tiveram resultado negativo foram incluídos na amostra.
Os pacientes tinham idades entre 19 e 84 anos, metade eram mulheres; o tempo médio que estes ficaram internados foi de 13,5 dias, e mais de 70% deles foram diagnosticados com pneumonia intersticial – caracterizada por um declínio progressivo da função pulmonar. A partir do primeiro sintoma, os pacientes foram avaliados por 60 dias em média.
As informações sobre sintomas potencialmente relacionados à Covid-19 foram obtidos por meio de um questionário padronizado administrado no momento da inscrição, com relatos dos pacientes sobre os sintomas durante a fase aguda da doença e após esta ter passado.
A figura abaixo mostra os sintomas relatados durante e após a fase aguda da Covid-19. Os resultados mostram piora na qualidade de vida de 44,1% dos pacientes na fase de acompanhamento na recuperação; grande parte dos indivíduos relatou fadiga (53,1%), dispneia (43,4%), dores nas articulações (27,3%) e dores no peito (21,7%). O estudo mostra que 87,4% dos pacientes em recuperação da Covid-19 relataram persistência de pelo menos um sintoma, principalmente fadiga e dispneia.
Figura: Sintomas na fase aguda e no acompanhamento após Covid-19 (adaptado para o português)
Por fim, os autores relatam algumas limitações do estudo, como a falta de informações sobre a história dos sintomas antes da fase aguda da Covid-19, o pequeno número de pacientes e a comparação de outro grupo de pacientes que receberam alta por outro motivo. Sendo assim, faz-se necessário que outros estudos sejam realizados para acompanhar o continuamente os efeitos de longa duração da doença.
Escrito por Luiza Mugnol Ugarte.
Quer receber as notícias do IDOR pelo WhatsApp? Clique aqui, salve o nosso número e mande uma mensagem com seu nome completo. Para cancelar, basta pedir!