A XV Reunião de Pesquisadores em Doença de Alzheimer (RPDA), que aconteceu em Belo Horizonte no fim do último mês de outubro, reuniu grupos de pesquisa de diferentes regiões do país para reflexões sobre novos achados, diagnóstico e tratamento da Doença de Alzheimer, além de outras demências.
Os cientistas do IDOR marcaram presença – participaram ativamente da programação com apresentações orais e posteres, demonstrando os estudos mais recentes em biomarcadores sanguíneos e de neuroimagem sobre diagnóstico e monitoramento da doença de Alzheimer.
“Participar da XV RPDA foi uma experiência muito enriquecedora e com trocas significativas de conhecimento. O evento estava muito organizado, com ótimos temas discutidos durante as palestras e contou com a apresentação de muitos pôsteres de alta relevância. Além disso, fico muito feliz em ter participado ao lado de colegas e alunos do IDOR que representaram lindamente a instituição”, comenta a pesquisadora Fernanda De Felice.
Os estudos apresentados pelos jovens neurocientistas do IDOR destacam a abordagem integrada e colaboração entre diferentes áreas do conhecimento.
Em um dos pôsteres, a pesquisadora Fernanda Hansen apresentou um modelo que mostra como a associação entre métodos de imagem e análises de proteínas específicas — como o pTau217/Aβ42 — pode ajudar a compreender diferentes estágios da doença e aprimorar a identificação de casos de Alzheimer e outras demências.
Outro trabalho, desenvolvido pela pós-doutoranda Debora Rocha, investigou os efeitos do envelhecimento sobre o cérebro e sua relação com biomarcadores sanguíneos. Os resultados mostraram que os níveis das proteínas NfL e GFAP aumentam com a idade e estão associados à redução de volume em estruturas como o hipocampo e a substância branca — regiões afetadas em doenças neurodegenerativas.
Já a doutoranda Alice Saldanha apresentou um estudo que avaliou as relações entre atividade física, níveis plasmáticos de irisina, proteína produzida durante o exercício, e biomarcadores da doença de Alzheimer. Embora não tenha sido observada correlação direta entre a irisina e os marcadores clássicos da doença, o estudo indicou que a atividade física influencia os níveis dessa proteína, reforçando a importância dos hábitos de vida na preservação da saúde cerebral.
O pesquisador Luis Eduardo Santos apresentou o primeiro perfil de biomarcadores plasmáticos de uma coorte brasileira de demência. O estudo analisou amostras de sangue de participantes diagnosticados com diferentes tipos de demência e identificou o pTau217 como um marcador promissor para diagnóstico precoce e acompanhamento da progressão da doença. Os resultados representam um passo importante para a validação local desses marcadores, o que pode facilitar sua incorporação na prática clínica brasileira e reduzir o número de diagnósticos incorretos ou tardios.
A presença dos grupos do IDOR na XV RPDA reflete o avanço das pesquisas conduzidas no instituto e sua contribuição para o entendimento das bases biológicas das demências. Os estudos apresentados apontam caminhos promissores para tornar o diagnóstico mais acessível, preciso e adaptado à realidade brasileira, integrando métodos de biologia molecular, neuroimagem e fatores comportamentais.