O quadro de Covid-19 em crianças é menos severo e os desfechos hospitalares são melhores do que os reportados em adultos, aponta estudo publicado na Jama Pediatrics.
A pandemia de coronavírus (Covid-19), afetou o mundo drasticamente em níveis de saúde da população e economia das nações: é a pior crise dos últimos 100 anos. Até o momento, mais de 6 milhões de pessoas em todo o mundo foram infectadas pelo Sars-CoV-2, o novo coronavírus, resultando em mais de 380 mil mortes. Para as crianças, no entanto, a gravidade geral da doença é relatada como significativamente mais leve do que em adultos, como mostra um relatório de morbidade e mortalidade do Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, que mostrou que apenas 1,7% de quase 150.000 casos de Covid-19 nos EUA eram de crianças.
Dois estudos observacionais da China revelaram que bebês e crianças raramente são afetadas gravemente por Covid-19 em comparação com adultos. Um deles traz dados do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças, e mostra que apenas 1,3% dos mais de 70.000 pacientes com Covid-19 tinham menos de 20 anos. Outro relatório, também da China, mostrou que de 171 crianças e adolescentes com menos de 16 anos, apenas 3 foram internadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e somente 1 faleceu.
Em março deste ano, foi formalizada uma nova colaboração international voluntária por pediatras de UTI (PICU), que é composta por mais de 300 UTIs pediátricas (UTIP) e especialistas em doenças infecciosas de mais de 100 dos maiores hospitais pediátricos do globo. O objetivo do projeto é de compartilhar boas práticas e informações do mundo sobre doenças desencadeadas pela Covid-19 em crianças.
Um novo relatório, publicado pela revista JAMA Pediatrics com dados de estudos da PICU, forneceu descrição e caracterização precoces da infecção por Covid-19 em 46 UTIPs norte-americanas. Eles reportam que em apenas 35% dos hospitais crianças com infecção por Covid-19 foram internadas em UTIPs. Das 48 crianças desta série, 18 (38%) necessitaram de ventilação invasiva e a maioria sobreviveu.
Um grupo de pacientes crianças apresentou apenas sintomas respiratórios mínimos ou inexistentes, mas outros sintomas levaram à admissão na UTIP. Mesmo excluindo um grupo de pacientes com sintomas leves ou moderados, a taxa de mortalidade ajustada (6%) permanece baixa em comparação com os adultos (1-12%). Embora não haja terapias baseadas em evidências eficazes contra a Covid-19, a maioria dos bebês e crianças deste relatório recebeu pelo menos um tratamento destinado a modular o curso da infecção.
O estudo constatou que o curso clínico da doença foi menos grave e que os resultados hospitalares foram melhores em crianças gravemente doentes do que em adultos,. Vale ressaltar que crianças podem desenvolver quadros de maior gravidade a infecção por Sars-CoV-2 devido a condições congênitas; enquanto nos adultos isso se deve às comorbidades, frequentemente associadas ao estilo de vida, como obesidade. Finalmente, enfatiza-se que até o momento, na América do Norte, crianças enfrentam um risco muito maior de doenças críticas por influenza do que por Covid-19, apontando para a manutenção preventiva da saúde pediátrica durante esse período.
Escrito por Luiza Mugnol Ugarte
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